Por quê as mulheres zombam dos homens que supostamente amam?

Sofia coloca um pouco de champagne na sua taça e balança sua cabeça em sinal de frustração enquanto diz:
“Ele é um idiota.
Eu não posso deixá-lo sozinho por 5 segundos.
Só deus sabe a bagunça que eu encontraria em casa ao voltar”.
Todas as amigas de Sofia sorriem e concordam enquanto outra amiga também faz seus comentários:
“O meu praticamente explodiu o micro-ondas na última vez que se aventurou na cozinha. Não sabe fazer nada.”, disse Laura.
A cena acima é real, e eu a presenciei no último réveillon (passagem de 2011 para 2012).
Em uma festa grande, com aproximadamente 50 pessoas, a grande maioria casais, logo se formaram pequenos grupos de homens e mulheres que conversavam sobre os assuntos mais variados.
Entre uma conversa e outra que acontecia em meu próprio grupo, eu logo notei que o grupo acima que minha namorada estava participando me chamava mais atenção.
Por isso fiquei prestando atenção à distância sobre o que elas falavam.
Como eu peguei a conversa no meio, a princípio eu imaginei que elas estavam falando sobre seus filhos adolescentes, mas logo percebi que a conversa não era sobre eles.
Eu conheço relativamente bem os filhos das duas e até onde sei eles são ótimos garotos e sempre que as duas falavam sobre seus filhos elas se derramavam em elogios.
Pouco tempo depois ficou claro para mim que as pessoas que elas estavam criticando em público de forma tão rude e desrespeitosa eram seus próprios maridos.
Não foi a primeira vez que eu percebi esse tipo de comportamento em algumas mulheres, mas foi a primeira vez que eu percebi o quão desrespeitoso ele é.
Depois daquela noite eu perguntei para minha namorada e também várias amigas do sexo feminino o quão comum é este tipo de conversa e para a minha surpresa todas foram incrivelmente sinceras em admitir que elas ocorrem com bastante regularidade.

Captura de tela 2012-12-29 às 21.19.50

Pelo o que eu apurei, quando um grupo de mulheres se reúne, a conversa eventualmente envolverá seus maridos e namorados – e raramente as palavras usadas nessas conversas serão elogios.
Uma coisa que todas foram unânimes em seus relatos foi que elas não fazem isso sempre que se encontram para conversar, por outro lado admitiram que é algo que acontece um certa regularidade. Segundo elas é uma forma de dividir experiências e um processo de aceitação do grupo.
Mas quando eu perguntei para minha namorada o que as levou a terem aquela conversa durante a festa de réveillon ela não soube me explicar como o assunto começou (verdade seja dita: nem todas as mulheres naquela noite estavam criticando seus parceiros, entre elas minha namorada, mas ao mesmo tempo nenhuma delas reprimiu suas amigas que falavam mal publicamente de seus parceiros).
Segundo minha namorada ela e suas amigas estavam bebendo e conversando sobre amenidades quando Sofia de repente começou:
“O Hamilton é muito chato.
Tentei fazer com que ele fizesse aulas de dança de salão comigo, mas ele sempre diz que está cansado.
Ele é um porre” (talvez seja pelo fato de Hamilton, que é meu amigo pessoal, trabalha em média 70 horas semanais e quando finalmente pode descansar ele quer ficar em casa com seu filho). Apesar deste comentário aparentemente deslocado ter iniciado sem qualquer motivo aparentemente, isso desencadeou um efeito naquele grupo fazendo com que outras mulheres começassem a criticar seus namorados e maridos.
É como se aquele crítica inicial de Sofia fosse o incentivo que Laura, Ana Cláudia e Michelle precisavam para fazer o mesmo.
Após as críticas iniciais de Sofia e Laura, logo foi a vez de Ana Cláudia dizer que seu marido, cujo ela havia recém se casado a menos de 3 meses, já estava passando por uma crise de meia-idade.
Para ela esta “crise de meia-idade” se caracterizava pelo fato do seu marido ter comprado um videogame para jogar nas horas vagas.
Ela terminou seus comentários em meio uma gargalhada “Vocês conseguem imaginar alguém mais ridículo?” e essas gargalhadas foram seguidas por risadas de todas as mulheres naquele grupo.
Eu não consigo imaginar em hipótese alguma um grupo de homens falando de forma tão vingativa e desrespeitosa com relação a suas parceiras; ou, quando isso acontece, este homem rapidamente será reprimido por seus próprios amigos:
“Se você não está satisfeito com sua mulher então porque ainda está com ela?” é uma frase que rapidamente será ouvida em tal situação.
Por outro lado, diminuir e criticar seus maridos parece ter se tornado socialmente aceitável.
E o que é pior: se a mulher não participa dessa crítica aos parceiros ou ao menos não se mostra simpática ao assunto ela começa a não ser vista com bons olhos pelas outras mulheres do grupo.
É como se ela fosse uma “traidora” daquele grupo.
Então porque elas fazem isso?
Foi a pergunta que a psicóloga britânica Jane McCartney fez.
Especializada em psicologia comportamental e terapias de casais, ela conduziu uma pesquisa com seus pacientes e chegou à conclusão que mulheres que criticam seus parceiros publicamente na verdade são pessoas ressentidas e com raiva.
Segundo a Dra. McCartney:
“Algumas mulheres têm inveja do sucesso de seus parceiros.
Pelo fato delas não terem uma carreira de sucesso como seus maridos e namorados, elas sentem como se tivessem pouco ou nenhum poder e controle na relação. Ridicularizar seus parceiros parece ser a única forma que elas encontraram de se sentirem melhor.
Mulheres que se sentem confortáveis em sua vida raramente ridicularizam seus parceiros”.
A pesquisa de McCartney identificou que atualmente, em um mundo cada vez mais competitivo, se espera de muitas mulheres que elas sejam ótimas mães, mas também que tenham uma carreira de sucesso.
Porém, muitas mulheres ainda não se adaptaram a esta nova realidade e quando uma delas falha na carreira ou na vida pessoal, os parceiros começam a virar alvo de críticas.
Desesperadas para que não pareçam dependentes, muitas dessas mulheres tentam diminuir seus parceiros publicamente para que ao mesmo tempo elas pareçam maiores aos olhos das pessoas em seu círculo social.
Além do claro desrespeito ao parceiro (você consegue imaginar uma mulher que aceitasse ser humilhada publicamente por seu marido?) a psicóloga ainda identificou um problema ainda mais preocupante neste comportamento: o efeito que ele tem nas crianças.
Mulheres que se divertem criticando seus parceiros em público raramente os tratam com respeito quando estão na privacidade do lar.
Crianças que presenciam suas mães constantemente criticando e desrespeitando seus pais crescem acreditando que existe alguma coisa errada com a figura paterna.
Em outro estudo realizado pela Universidade de Kent, no Reino Unido, demonstrou que quando chegam aos 8 anos de idade, garotos acreditam que as meninas se comportam melhor e são mais bem sucedidas que eles.
O estudo também mostra que quando chegam aos 14 anos de idade já existe uma ideia estabelecida que as meninas são mais competentes que os meninos e é natural esperar que elas tenham bom desempenho.
Ao mesmo tempo, um garoto que se esforça e tem bons resultados é comumente rotulado como nerd e outros adjetivos nada agradáveis.
Algumas escolas no Brasil já oferecem grupos de estudos unicamente para meninas.
São horários reservados fora do horário escolar onde os professores reforçam a matéria e tiram dúvidas, mas onde apenas meninas podem participar.
A explicação dada pelas escolas que apoiam tal iniciativa é que sem os meninos no mesmo grupo as garotas não são dispersadas pela bagunça dos mesmos.
Além das razões óbvias do porquê este tipo de segregação é errada, afinal ela estimula o preconceito de sexo ao excluir um grupo de contato com o outro (vocês conseguem imaginar aulas de reforço em uma escola que separa brancos de negros ou onde meninas não podem participar?), muitas dessas escolas não oferecem serviços similares para que os meninos tirem suas dúvidas.
No final das contas, todo esse desrespeito e sentimento anti-masculino é algo extremamente danoso na mente dos garotos.
Como eu disse no início do texto, o episódio que ocorreu na noite de réveillon foi a primeira vez que percebi o quão triste e comum tal atitude é, mas certamente não foi o primeiro.
Puxando pela memória, me recordo de certa vez receber uma ligação de uma amiga para ajudá-la com seu carro que havia arriado a bateria perto de minha casa.
Quando eu cheguei lá eu comecei a fazer uma ligação direta entre o carro dela e o meu enquanto ela derramava sua frustração:
“Homens são todos inúteis.
Pedi para o Fábio (seu marido) olhar a bateria do meu carro, mas ele não fez isso.
Se você quer que uma coisa seja feita direito então peça para uma mulher”.
Quando ela disse isso eu imediatamente respondi:
“Primeiro: se o problema está acontecendo no seu carro então porque você mesma não levou seu carro para ser consertado ao invés de jogar a responsabilidade sobre seu marido?
Segundo: não se esqueça que quem está te ajudando agora é outro homem”.
– Porém, o que me magoou mais não foi a forma totalmente desrespeitosa que ela falava sobre seu marido ou a sua ingratidão com relação a minha ajuda.
O que me deixou realmente triste foi ver o filho de 6 anos desta minha amiga, que estava sentado no banco de trás do carro, ouvir sua mãe discursar toda sua misandria sobre como os homens são incompetentes.
O que passará na mente desta pobre criança em ouvir sua própria mãe dizer que ele é um inútil e incompetente simplesmente por ser um menino?
Felizmente nem todas as mulheres têm este comportamento deplorável.

R7-Homem-ou-mulher-lider

Patrícia é outra amiga muito próxima que eu conheço a mais de 20 anos e que recentemente teve um filho.
Infelizmente o seu parceiro simplesmente sumiu quando a criança tinha apenas 8 meses de idade.
Entretanto eu nunca a ouvi falar sequer uma palavra ruim com relação ao seu ex-marido.
Ela foi uma das mulheres com quem conversei quando estava escrevendo este artigo e segundo ela este é o principal motivo para não fazer isso:
“Meu filho tem o direito de pensar que seu pai é um herói e eu não quero que ele cresça pensando que existe algo de errado em ser homem apenas porque eu tive uma experiência ruim com outro homem”.
Eu admiro muito Patrícia por ela pensar dessa forma e eu gostaria que mais mulheres também pensassem assim.
Mas independente de existirem filhos ou não na relação, nunca é aceitável que homem ou mulher, ridicularize alguém que supostamente ama.
Um dos pilares de qualquer relacionamento saudável é o respeito e sem respeito é impossível existir amor de verdade.
Ao contrário do ex-marido de Patrícia, a maioria dos homens são pessoas decentes, bons pais e bons companheiros então é natural que eles sejam tratados com o respeito que merecem.

2231209-8310-rec

Fonte: Blog Masculinismo